Quem é você no CIn? — Bruno Cartaxo

Seja aluno, servidor, professor, funcionário ou estagiário. Cada um é extremamente importante e necessário para fazer girar a roda de engrenagem do Centro de Informática (CIn) da UFPE. No ‘Quem é Você no CIn’ de hoje, o ex-aluno de pós-graduação do Centro, Bruno Cartaxo vai contar um pouco sobre a sua trajetória de sucesso. Confira a seguir:

“Eu tô nessa estrada de TICs desde 2006, quando iniciei minha formação em Ciência da Computação, há quase 15 anos. Apesar de não ter feito graduação no CIn, toda a minha trajetória acadêmica e de mercado tem alguma relação direta ou indireta com o centro. Boa parte dos meus professores de graduação eram oriundos do CIn. Alguns deles, inclusive são professores do centro atualmente.

Hoje estou seguindo uma carreira mais acadêmica como professor do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) desde meados de 2015. No entanto, minha trajetória profissional é marcada por uma intensa presença tanto no mercado de desenvolvimento de software como no mundo acadêmico e de pesquisa.

No mercado, atuei durante quase oito anos como engenheiro de software, líder técnico e gerente em diversos projetos de desenvolvimento de software no C.E.S.A.R — em projetos com empresas como Motorola, Dell, HP e outras — em um projeto da Samsung dentro do próprio CIn e também no Instituto Senai de Inovação para Tecnologia da Informação e Comunicação (ISI-TICs). Mão na massa total.

Tive experiência em equipes pequenas (apenas 3 pessoas), médias, grandes (mais de 40 pessoas) e distribuídas (em outros estados do Brasil e até no exterior). Apliquei diversos princípios e processos de desenvolvimento e gerenciamento de software. Desde uma rebarba pré-agile com RUP, até os métodos ágeis tão utilizados no dias de hoje como Scrum, Kanban, XP, etc. Passei por projetos extremamente diversos também do ponto de vista técnico. Estive metido no desenvolvimento de aplicações desktop, web, distribuídas, embarcadas, móveis e até mesmo em nível de kernel. Utilizei linguagens e plataformas como C, C++, C#, Java, JavaScript, etc.

Alguns exemplos desses projetos, que obviamente não atuei sozinho, mas em equipes com pessoas fantásticas que aprendi muito, são:

  • Participei no desenvolvimento de uma IDE onde todos os desenvolvedores do mundo que desejassem criar aplicativos para celulares da Motorola deveriam utilizar, mexendo com vários aspectos de criptografia e Public-Key Infrastructure (PKI);
  • Atuei como desenvolvedor em um sistema de informação web complexo com várias bases de dados distribuídas que controlava todas as peças que compunham o processo fabril de produtos da Dell Brasil;
  • Meti código pra criar um terminal de ponto de venda de baixo custo que rodava embarcado em dispositivos de baixa capacidade computacional que é amplamente utilizado em milhares de estabelecimentos em toda a américa latina;
  • Desenvolvi um sistema web e distribuído de recebimento e processamento de dados fiscais de estabelecimentos comerciais em todo o Brasil;
  • Desenvolvi um sistema de cache para redes de storage com base em algoritmos de replacement e predição modificando módulos e drivers do kernel do linux;
  • Fui responsável pela otimização de performance de um sistema de análise estática/dinâmica e geração de testes automáticos para aplicativos de TV digital conseguindo uma melhoria de desempenho de mais de 80%;
  • Liderei a definição de um aplicativo móvel em Android pra simulação semafórica na cidade de recife envolvendo vários desafios ligados à sistemas de tempo real e sistemas de informação geográficos;
  • Além de vários outros projetos que atuei como desenvolvedor, líder técnico ou gerente.

Já no lado acadêmico, dei um cavalo de pau e trilhei um caminho nada técnico. Muito focado no que chamamos de meta-pesquisa. Ou seja, pesquisar sobre como pesquisar melhor em computação. E é nesse momento que meu caminho se cruza com o CIn, agora de maneira direta. Fiz meu mestrado e doutorado no centro, orientado pelo professor Sérgio Soares. Pra fazer minhas pesquisas tive que estudar sobre áreas super interessantes dentro da Filosofia da Ciência e até um pouco de Metafísica, como por exemplo: Ontologia, onde se estuda a natureza da realidade e nos fazemos perguntas como “os fenômenos e as coisas têm uma existência intrínseca e objetiva, ou a realidade é apenas fruto de uma construção social e/ou da nossa mente?”; Epistemologia, onde se estuda a natureza do conhecimento e no fazemos perguntas como “o que é conhecimento e como podemos obtê-lo?”; e por fim, Metodologia, onde se estuda os mais variados métodos para se obter conhecimento cientificamente válido.

Depois de montar esse arcabouço teórico percebi que tinha me distanciado muito da minha vivência prática. Então decidi me reaproximar de alguma forma. Concentrei esforços para produzir uma tese de doutorado em que pudesse criar e/ou adaptar métodos científicos de maneira a produzir e transferir conhecimento que fosse útil e acessível aos profissionais que trabalham com desenvolvimento de software. Defini um modelo de transferência de conhecimento baseado nos conceitos de Rapid Reviews e Evidence Briefings, que são formas de produzir e sintetizar conhecimento científico útil aos profissionais da prática e apresentá-lo de maneira amigável. Esse modelo foi aplicado em empresas de desenvolvimento de software em diversos locais do Brasil e do mundo. Recentemente inclusive fiquei sabendo o Sandia National Laboratory — um dos três principais laboratórios de P&D em defesa nuclear do governo americano — está aplicando nosso modelo e obtendo bons resultados. Em breve tá pra ser publicado o livro Contemporary Empirical Methods in Software Engineering, que escrevi um capítulo, junto com Sérgio Soares (CIn/UFPE) e Gustavo Pinto (UFPA) sobre as tais Rapid Reviews. A prévia do capítulo já está disponível.

Minha trajetória acadêmica foi muito rica e me trouxe um crescimento profissional e pessoal incrível. O CIn tem um papel bem importante nisso. Publiquei mais de 20 artigos em conferências e revistas nacionais e internacionais de alto impacto científico na minha área de pesquisa. Se não errei nas contas, estive em 17 países em 5 continentes apresentando pesquisas e estabelecendo parcerias e contatos. Desenvolvi meu inglês em todos os níveis (escrita, leitura e conversação) e me tornei um cidadão do global. Aprendi a me comunicar das mais variadas formas: fazendo apresentações, palestras, escrevendo e conversando. O mundo da pesquisa me fez pensar de maneira mais profunda e desenvolver uma visão crítica, não apenas replicar ideias e comportamentos já existentes sem antes pensar sobre eles. Já minha vivência no mercado me deu propriedade e experiência em primeira pessoa de como é criar software na vida real, além de ter desenvolvido a capacidade de planejar, executar e entregar projetos de qualquer natureza, não só de software. Se fosse resumir minha vivência no mercado diria que me trouxe a capacidade de executar. De transformar ideias em realidade.

Justamente por enxergar valor nesses dois mundos, atualmente tenho focado meus esforços em tocar pesquisas e iniciativas variadas no sentido de aproximar o mundo acadêmico do mundo da prática de desenvolvimento de software.

Tenho orientando alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado nessa linha.

Iniciei por esses dias uma série de textos desmistificando o mundo de pesquisa para profissionais do mercado tentando incentivá-los a terem um experiência acadêmica mais completa. No primeiro texto falo sobre o que eu gostaria de ter entendido antes de entrar em um mestrado/doutorado em computação, tendo vindo do mercado. No segundo texto falo sobre os ganhos que um profissional do mercado tem ao fazer um mestrado/doutorado. Em breve vai sair mais textos dessa série. Se te interessar é só acompanhar meu Blog e/ou meu perfil no Medium.

Além disso, estou tocando um podcast onde converso com profissionais do mercado e da pesquisa de desenvolvimento de software sobre suas carreiras e também sobre assuntos técnicos de suas especialidades. O HiDev Podcast. O primeiro convidado é um ex-aluno do CIn, Celso Santa Rosa, que tem mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software e que atualmente trabalha como desenvolvedor no Spotify, em Estocolmo na Suécia. Conversamos sobre os desafios de trilhar uma carreira no mercado no exterior e sobre o conceito de Consumer Driven Contract Tests. No segundo episódio, troco uma ideia com Igor Steinmacher, professor e pesquisador da Northern Arizona University nos Estados Unidos, sobre carreira acadêmica no exterior e também sobre os benefícios e desafios que novatos enfrentam ao tentar se inserir em projetos open-source. No terceiro episódio, converso com outro ex-aluno do CIn, Jean Melo, que atua como desenvolvedor em uma startup em Copenhagem na Dinamarca. Ele fala sobre como foi trilhar uma carreira estritamente acadêmica (fez mestrado e doutorado) e depois mudar para o mercado. Também falamos sobre vários aspectos relacionados a arquiteturas baseadas em microsserviços. O quarto e próximo episódio estará disponível nos próximos dias. Bato um papo com com um pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) e que atualmente está licenciado e atua como professor e pesquisador na Free University of Bozen-Bolzano na Itália. Tem doutorado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e foi por 7 anos o editor-chefe de uma das principais revistas brasileiras de desenvolvimento de software voltada para os profissionais do mercado (não-acadêmicos). A gente vai conversar sobre uso e definição de padrões de projeto, arquitetura, teste, etc e como ter presença no mercado mesmo sendo da academia.

Também tenho liderado iniciativas dentro do IFPE para captar parcerias e projetos de inovação junto à empresas nacionais e multinacionais, além de estar prospectando possibilidades de aplicação da computação para resolver problemas nos mais diferentes nichos e criar negócios viáveis e escaláveis que tenham impacto social e econômico.

Caso tenha interesse em fazer alguma parceria comigo em uma das iniciativa que mencionei, seja em pesquisa, em comunicação, consultoria, projetos de inovação e/ou desenvolvimento de negócios, você encontra todos os meus contatos em http://brunocartaxo.com. Se quiser também pode me seguir no Twitter (@brunocartaxo) que é a rede social que costumo ser mais ativo e estou sempre interagindo com pessoas e postando conteúdo sobre todos o temas que mencionei aqui”.

Arte por: João Montenegro.

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O CIn-UFPE é um dos mais renomados centros do Brasil e da América Latina. Instituição fundamental para o crescente mercado de tecnologia.

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